Brasileiros encontram dificuldades para conseguir visto americano

Fila em frente ao consulado americano na capital paulista (Foto: Luciana Bonadio/G1)

As férias de julho começam nesta semana, tempo de muitas famílias programarem viagens para o exterior. Apesar disso, muitos brasileiros tem passado sufoco para conseguir o visto americano a tempo para a viagem. Alguns têm até optam por ir a outros estados, onde os consulados têm espera menor, em busca da permissão de entrada nos Estados Unidos. Por conta da demanda, foram marcados mutirões de entrevistas. Apenas no consulado de São Paulo aconteceram 2 mil atendimentos no dia 18 de junho. Um novo mutirão acontecerá em 23 de julho na capital paulista e no Rio de Janeiro.

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A família da cineasta Paula Bleier passou pela entrevista no consulado americano em São Paulo na quarta-feira (22). As duas filhas e a mãe dela têm viagem marcada para Orlando no dia 4 de julho. Com o feriado desta quinta-feira (23), ela acredita que os passaportes com o visto chegarão a poucos dias do embarque. “Foi um aperto, uma suadeira”, disse. Ela marcou a entrevista no dia 3 de março e só conseguiu uma data disponível para mais de três meses depois. “É difícil, bem difícil. Acho um absurdo”, afirmou.

O projetista Renan Alves Pires, de 23 anos, conseguiu o visto durante o mutirão realizado em 18 de junho. Ele adiantou a data entrando repetidas vezes no sistema para verificar alguma desistência. Sem a data extra, ele passaria pela entrevista apenas em outubro e teria que desmarcar a viagem a trabalho prevista para 17 de julho.

Morador de Taubaté, a 140 km de São Paulo, o jovem tentava pela terceira vez tirar o visto. “Faz um ano e dez meses que eu tento viajar. Mas fui negado duas vezes”, disse. Ele aguardava ansioso pela entrevista no consulado de São Paulo. “Se eu não conseguir de novo, chamarei o consulado de Pedro”, brincou, referindo-se “àquele que negou Cristo três vezes”. Cerca de uma hora depois de chegar, o jovem recebeu a notícia de que foi aprovado.

Viagem para entrevista

O professor universitário Luiz Sidney Longo Júnior, de 37 anos, irá viajar de São Paulo para Recife em agosto para passar pela entrevista no consulado americano. Com viagem comprada para Nova York no dia 12 de outubro, ele só conseguiu marcá-la a tempo no outro estado. Apesar dos poucos gastos que terá para ir até Pernambuco – ele ficará hospedado na casa de uma amiga e emitiu passagens com milhas – o professor reclamou do transtorno.

“Eu sei que demora, mas não achei que fosse tanto. Quando eu entrei no sistema para fazer o agendamento em São Paulo, o próximo horário vago era 14 de outubro. O único que estava mais tranquilo era Recife, onde consegui agendar para 11 de agosto. Se eu tivesse marcado o visto com um mês de antecedência até entenderia, mas são quatro meses. A questão não é nem o gasto, mas o transtorno”, contou.

O advogado Carlos Alberto Ferreira dos Santos Júnior, de 40 anos, também precisou viajar até o Rio de Janeiro no ano passado para renovar o visto. “Marquei lá porque era muito mais rápido”, afirmou o morador de São Paulo. “Se fosse o primeiro visto, eu entenderia a necessidade de várias análises. Como era renovação, não vejo por que tanta burocracia.”

De acordo com o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas Kelly, o consulado da capital paulista é o que mais emite vistos em todo o mundo. Apenas em 2010, 320 mil pessoas receberam autorização para entrar em território americano por meio do escritório paulistano. “A demanda vem crescendo. Neste ano aumentou 36%”, disse.

Ele acrescentou que a taxa de aprovação de vistos é superior a 95%. “É muito importante para a economia americana que os brasileiros viajem para lá. Os brasileiros são os que mais gastam nos Estados Unidos”, afirmou. Para facilitar a vida de quem quer viajar, todos os 20 funcionários responsáveis pelas entrevistas trabalharam no sábado do mutirão.

Frustração no Rio

Depois de mais de cinco anos de estresse e mais de R$ 5 mil gastos em vão, a securitária carioca Magali de Fátima Alves da Rocha desistiu de conseguir um visto para os Estados Unidos. Magali trabalha há mais de 20 anos em uma empresa de seguro de grande porte, é casada e tem uma filha que sempre sonhou em ir para a Disney.

A primeira tentativa para conseguir o visto foi em 2006, quando ela pensou em visitar a irmã, que mora nos Estados Unidos e é cidadã americana. Ela também queria conhecer o mais famoso parque de diversões do país, em Orlando. Na época, a filha tinha 3 anos. “Disseram que não estavam dispostos a dar o visto naquele momento. Eles não te permitem nem argumentar, fingem que não te escutam”, contou.

Em 2010, ela foi com o marido ao consulado americano do Rio, para uma nova tentativa. “O que mais me surpreende é que eles nem olham a documentação, que estava toda certinha. Simplesmente disseram que não tinham como dar o visto. Para mim, aquilo depende do humor do cônsul”, afirmou.

Segundo Magali, além de enfrentar muita dificuldade para agendar a entrevista, no dia marcado é preciso chegar com bastante antecedência, porque a fila é sempre muito grande. “Em 2006 ainda tinha cadeira, mas agora você fica em pé, igual a fila de banco. Em dia cheio, você fica mais de uma hora esperando. A fila começa na rua. Dessa última vez, meu marido pagou até despachante”, contou.

O consulado americano do Rio de Janeiro informou que o tempo médio de espera por uma entrevista varia muito, a cada dia. Segundo o consulado, a data de agendamento exibida no site “pode mudar a qualquer momento”. O tempo de espera no consulado dos EUA no Rio era de mais de três meses nos últimos dias.

Em São Paulo a média de espera era de 146 dias; em Recife, de 70; em Brasília, o tempo médio de espera para uma entrevista chegava a 119 dias. O consulado americano do Rio informou ainda que o tempo mais curto foi registrado em 2009 e, desde então, a fila só tem aumentado. A demanda normalmente é maior antes dos períodos de férias, principalmente em julho.

Sonho da filha

A família de Magali desembolsou R$ 5 mil e mais a taxa de U$ 110 (cerca de R$ 173) da entrevista de cada um dos três, valor que não é reembolsável caso não consiga o visto. “Se você for fazer sem despachante, tem que ficar à disposição do site. Com despachante, conseguimos marcar para o mês seguinte”, disse.

Segundo Magali, o marido recentemente pensou até em ir para outro estado tentar obter o visto. Mas ela disse que não quer mais nem tentar. “Foi frustrante para minha filha, porque desde nova ela quer ir para a Disney. É o sonho dela, desde cedo, mas a gente não consegue realizar. Já nem quero mais ir, vou confessar, já desisti. É como se você fosse uma criminosa. Agora vamos à Europa, na Eurodisney (na França). É uma sensação de frustração muito grande”, desabafou.

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